Uma base de dados se referencia como documento eletrônico: entra pela instituição responsável, com o nome do conjunto, o local, o ano, o endereço e a data de acesso. O que diferencia uma referência boa de uma inútil é a rastreabilidade — quem lê precisa conseguir chegar exatamente ao mesmo recorte que você usou, e é aí que a maioria falha.
O formato da referência
A estrutura segue a lógica de qualquer documento em meio eletrônico, com a autoria sendo quase sempre institucional:
| Elemento | O que entra | Observação |
|---|---|---|
| Autoria | Instituição responsável, em caixa alta | Quem produz o dado, não quem o hospeda |
| Título | Nome do conjunto ou da pesquisa | O nome específico, não o do portal |
| Versão ou edição | Quando o conjunto informar | Elemento decisivo em dados revisados |
| Local e ano | Cidade e ano de referência dos dados | Ano dos dados, não o da sua consulta |
| Disponível em | Endereço direto do conjunto | Nunca a home do portal |
| Acesso em | Data em que você baixou | Obrigatório; identifica a versão que você viu |
Duas linhas merecem destaque porque são as mais erradas. O ano é o de referência dos dados — um censo de 2024 consultado em 2026 é de 2024. E o endereço é o do conjunto: apontar para a página inicial do instituto obriga o leitor a procurar, o que é exatamente o que a referência deveria evitar.
Exemplos por tipo de fonte
Estatística oficial consultada em portal
NOME DA INSTITUIÇÃO. Nome da pesquisa ou do conjunto: recorte consultado. Cidade: Instituição, 2024. Disponível em: https://exemplo.gov.br/caminho-do-conjunto. Acesso em: 4 ago. 2026.
Microdados baixados para tratamento próprio
NOME DA INSTITUIÇÃO. Nome da pesquisa: microdados. Cidade: Instituição, 2024. 1 conjunto de dados. Disponível em: https://exemplo.gov.br/microdados. Acesso em: 4 ago. 2026.
Quando você baixa microdados e faz a sua própria tabulação, há um dever adicional: diga no texto que a tabulação é sua. A fonte da tabela passa a ser algo como “Elaborado pelo autor a partir de [instituição] (2024)”. Apresentar um número que você calculou como se estivesse publicado pela instituição é atribuição incorreta.
Conjunto depositado em repositório de dados
SOBRENOME, Nome. Título do conjunto de dados. Versão 2. Nome do repositório, 2025. Conjunto de dados. DOI ou endereço. Acesso em: 4 ago. 2026.
Repositórios de dados atribuem identificador persistente, e quando ele existe é preferível ao endereço comum, porque não quebra se a plataforma reorganizar as URLs. O funcionamento desses identificadores está em o que é DOI, ISSN e ISBN.
Painel ou consulta interativa
Painéis que geram o resultado a partir de filtros exigem cuidado extra: registre quais filtros você aplicou — recorte territorial, período, variáveis —, porque o endereço sozinho pode não reproduzir a consulta. Quando o painel gera um link permanente da consulta, use-o.

Dado não é relatório: a distinção que a banca cobra
Institutos publicam duas coisas diferentes sobre a mesma pesquisa: o conjunto de dados e o relatório de análise. São fontes distintas, com referências distintas, e usá-las como se fossem a mesma coisa é o erro conceitual mais comum aqui.
- Se você baixou a tabela e calculou algo, a fonte é o conjunto de dados — e o cálculo é seu.
- Se você citou uma conclusão que o instituto redigiu, a fonte é o relatório, e a conclusão é dele.
- Se usou os dois, referencie os dois.
Isso tem consequência prática na discussão do seu trabalho: uma interpretação assinada pelo instituto tem peso de análise publicada; um número que você tabulou é evidência que você produziu e precisa defender. O tratamento dos números está em análise de dados quantitativos no TCC, e a diferença entre trabalhar com documentos e com bibliografia, em pesquisa documental e bibliográfica.

O que torna a citação rastreável
Formatar certo não basta. Para que outra pessoa — a banca, um leitor, você mesmo daqui a seis meses — chegue ao seu número, registre desde a primeira consulta:
- Data de acesso, no dia em que baixou. Bases são retificadas sem aviso.
- Versão do conjunto, quando informada.
- Recorte exato: período, unidade territorial, variáveis, filtros.
- Como você tratou os dados: exclusões, agregações, tratamento de valores ausentes.
- O arquivo original, guardado sem edição, com uma cópia separada para trabalhar.
O item 4 é o que separa um trabalho quantitativo defensável de um que não se sustenta na arguição. “Excluí os registros sem informação de renda, o que reduziu a base de 4.312 para 3.987 casos” é uma frase que a banca aceita; a mesma exclusão feita em silêncio é uma diferença inexplicável entre o seu número e o oficial.
Vale um aviso sobre dados oficiais em geral: séries são revisadas. Se o seu trabalho cita um número que hoje está diferente no portal, a data de acesso é o que explica a divergência — e é por isso que ela não é burocracia.

Como citar no texto e nas tabelas
A chamada no texto usa a instituição e o ano de referência dos dados, no padrão autor-data:
- Número publicado pela instituição: (INSTITUIÇÃO, 2024)
- Número calculado por você a partir do conjunto: (Elaborado pelo autor a partir de INSTITUIÇÃO, 2024)
- Duas fontes combinadas: nomeie as duas e explique a combinação no texto
Nas tabelas e figuras, a fonte vai abaixo do elemento, e é ali que a distinção entre dado publicado e dado tabulado por você precisa aparecer. As convenções estão em tabelas e quadros ABNT no Word e em gráficos no TCC.
Um cuidado que evita contradição interna: mantenha numerador e denominador na mesma série. Se você calcula uma proporção com um número de uma pesquisa e outro de outra, o resultado pode não significar nada — e se o seu trabalho já citou uma série diferente em outro capítulo, diga qual instrumento está usando em cada ponto e por que eles diferem.
As regras gerais de referência estão em como fazer referências ABNT; para fontes online em geral, como citar site pela ABNT; e se a fonte for um ato normativo, como citar leis e decretos. Um exemplo de trabalho construído sobre estatística oficial está em matrículas no ensino superior no Brasil.
Com os dados baixados e o recorte registrado, o que resta é redigir a apresentação dos resultados de forma que o leitor acompanhe cada número até a fonte. O Tesify ajuda a estruturar essa seção a partir das tabelas que você já apurou — a conferência de cada valor contra o conjunto original continua sendo sua. Redija os seus resultados.
Perguntas frequentes
Como citar dados do IBGE ou do INEP na ABNT?
Como documento eletrônico, com autoria institucional: instituição em caixa alta, nome do conjunto ou da pesquisa, local, ano de referência dos dados, endereço direto do conjunto e data de acesso. Evite apontar para a página inicial do portal.
O ano da referência é o dos dados ou o da consulta?
O ano de referência dos dados. Um censo de 2024 consultado em 2026 entra como 2024; o ano da sua consulta aparece na data de acesso.
Preciso informar a data de acesso de uma base de dados?
Sim. Bases oficiais são retificadas sem aviso, e a data de acesso é o que identifica a versão que você utilizou — é ela que explica uma eventual divergência entre o seu número e o que está hoje no portal.
Como citar um número que eu mesmo calculei a partir dos microdados?
Referencie o conjunto de dados e indique que a tabulação é sua, com a fonte da tabela na forma “Elaborado pelo autor a partir de [instituição] (ano)”. Apresentar um cálculo próprio como se fosse publicado pela instituição é atribuição incorreta.
Qual a diferença entre citar a base de dados e citar o relatório do instituto?
São fontes distintas. O conjunto de dados é o material bruto de onde você extraiu números; o relatório traz as análises e conclusões redigidas pela instituição. Se usou os dois, referencie os dois.
Como citar um painel interativo que gera o resultado por filtros?
Registre os filtros aplicados — recorte territorial, período, variáveis — porque o endereço sozinho pode não reproduzir a consulta. Quando o painel oferece link permanente da consulta, use-o na referência.
