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Taxa de Evasão no Ensino Superior no Brasil: Dados e Estatísticas de 2026 (INEP)

Taxa de Evasão no Ensino Superior no Brasil: Dados e Estatísticas de 2026 (INEP)

Mais da metade dos estudantes que ingressam em uma graduação no Brasil não chegam a se formar. A taxa de evasão no ensino superior Brasil chega a 57,2% quando somados todos os alunos das redes pública e privada, nas modalidades presencial e a distância — número que posiciona o país entre os sistemas educacionais com maior abandono universitário do mundo ocidental. Os dados mais recentes, extraídos do Censo da Educação Superior 2024 divulgado pelo INEP em setembro de 2024 e do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025 (15ª edição) do Instituto Semesp (fevereiro de 2025), detalham como esse fenômeno se distribui por rede, modalidade e área de conhecimento.

Este compilado reúne os indicadores mais citáveis da literatura oficial, organizados em tabelas e com fonte e ano de referência explícitos, para facilitar o uso em reportagens, trabalhos acadêmicos e análises institucionais.

Infográfico da taxa de evasão no ensino superior no Brasil em 2026 com dados do INEP (Censo 2024) e Semesp (Mapa 2025)
Taxa de evasão no ensino superior no Brasil — síntese dos indicadores do INEP (Censo da Educação Superior 2024) e do Instituto Semesp (Mapa do Ensino Superior 2025).
Resposta rápida: A taxa anual de desistência no ensino superior brasileiro foi de 17,5% em 2024 (INEP) — o maior índice desde 2010. A taxa acumulada ao longo do ciclo do curso chega a 57,2%: 61,3% na rede privada e abaixo de 40% na rede pública. Na modalidade EaD, o abandono anual é de 24,1%; no presencial, de 9,5%.

Panorama geral: Censo INEP 2024

O Censo da Educação Superior 2024, divulgado pelo INEP, registrou dois indicadores complementares de abandono que frequentemente aparecem confundidos na cobertura da mídia:

  • Taxa de desistência anual (2023–2024): 17,5% — o maior valor da série histórica que o INEP publica desde 2010.
  • Taxa acumulada (ciclo 2019–2023): 57,2% para o conjunto das redes pública e privada em todas as modalidades, conforme o Mapa do Ensino Superior 2025 do Instituto Semesp com base nos microdados INEP.

A distinção metodológica entre os dois números é relevante: a taxa anual mede o abandono dentro de um único ano acadêmico; a taxa acumulada acompanha uma coorte de estudantes ao longo de todo o prazo máximo do curso até que ele expire ou o aluno conclua. Ambas são reconhecidas pela literatura especializada e citadas em paralelo pelos principais relatórios setoriais.

Tabela 1 — Indicadores de evasão no ensino superior brasileiro
Indicador Taxa Fonte / Ano de referência
Taxa anual de desistência (geral) 17,5% INEP, Censo 2024
Taxa acumulada (todas as redes e modalidades) 57,2% Semesp, Mapa do Ensino Superior 2025 (dados INEP 2023)
Taxa anual — EaD 24,1% INEP, Censo 2024
Taxa anual — Presencial 9,5% INEP, Censo 2024
17,5%
Taxa anual de desistência
Maior valor desde 2010 — INEP, Censo 2024

57,2%
Taxa acumulada (ciclo 2019–2023)
Redes pública e privada — Semesp 2025

24,1%
Evasão anual no EaD
2,5× maior que o presencial — INEP, Censo 2024

9,5%
Evasão anual no Presencial
Menor índice entre as modalidades — INEP, Censo 2024

Evasão por rede: pública vs. privada

A divisão entre rede pública e rede privada é um dos cortes mais reveladores nos dados de abandono. Segundo o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025 do Instituto Semesp — que processou os microdados do INEP com referência ao ciclo 2019–2023 —, o comportamento difere substancialmente entre os dois segmentos:

Tabela 2 — Taxa de evasão acumulada por rede (ciclo 2019–2023; Semesp 2025)
Rede Taxa acumulada Participação nas matrículas (2024)
Privada 61,3% 79,8%
Pública < 40% 20,2%

O dado mais preocupante é que a rede privada concentra 79,8% de todas as matrículas de graduação no país (INEP, Censo 2024). O segmento que detém a maior fatia dos estudantes é também o que registra maior abandono acumulado. Nas grandes instituições privadas — aquelas com mais de 10 mil alunos matriculados —, a taxa sobe para 64,6% (Semesp, 2025).

Na rede pública, a evasão abaixo de 40% é expressivamente inferior à média geral. Programas de assistência estudantil e permanência, mais consolidados nas IES federais e estaduais, além de processos seletivos mais rigorosos que filtram candidatos com maior afinidade ao curso, são fatores frequentemente citados pela literatura como explicativos da diferença.

Evasão por modalidade: presencial vs. EaD

O Censo da Educação Superior 2024 registrou um marco histórico: pela primeira vez, as matrículas EaD superaram as presenciais no Brasil — 50,7% do total cursam à distância (5,19 milhões de estudantes) contra 49,3% no presencial (5,04 milhões). Esse crescimento de 286,7% no EaD ao longo da última década contrasta com uma queda de 22,3% nas matrículas presenciais no mesmo período.

A expansão acelerada do EaD vem acompanhada de índices de evasão estruturalmente mais altos em ambos os recortes temporais:

Tabela 3 — Evasão por modalidade: comparativo anual e acumulado
Modalidade Taxa anual (INEP 2024) Taxa acumulada privada (Semesp 2025) Matrículas 2024 (INEP)
EaD 24,1% 64,1% 5.189.391
Presencial 9,5% 52,6% 5.037.875

A maior flexibilidade do EaD atrai estudantes com rotinas mais intensas — trabalhadores em tempo integral, mães e pais de família —, mas essa mesma flexibilidade reduz os laços de comprometimento quando surgem obstáculos financeiros ou motivacionais. Pesquisadores do campo apontam que a tutoria reativa em vez de proativa e a ausência de vínculos presenciais são mecanismos centrais da alta evasão na modalidade.

Evasão por área de conhecimento

O Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025 (Instituto Semesp, 15ª edição) detalha as taxas de desistência acumulada para cursos da rede privada, revelando variações expressivas entre áreas:

Tabela 4 — Evasão acumulada por área/curso na rede privada (ciclo 2019–2023; Semesp 2025)
Área / Curso Taxa acumulada Observação
Administração (EaD) 70,7% Maior taxa entre os cursos analisados pelo Semesp
Engenharia (geral) 65,2% Setor com déficit estimado de 75 mil profissionais no país
Direito 57,3% Curso mais procurado no presencial privado
Pedagogia (EaD) 54,2% Alta procura entre professores da rede de educação básica

O caso das Engenharias merece atenção particular. Com taxa de evasão de 65,2% na rede privada, o setor perde um volume expressivo de futuros profissionais num contexto de déficit estimado de 75 mil engenheiros no mercado nacional (Semesp, 2025). A combinação de alta carga teórica nos primeiros anos — sem aplicação prática imediata —, exigência de infraestrutura laboratorial e pressões financeiras sobre os estudantes explica boa parte desse fenômeno.

Cursos da área da saúde, como Medicina, tendem a apresentar taxas de evasão significativamente menores na rede privada. A seleção de ingressantes mais rigorosa, o investimento individual mais elevado e a forte identidade profissional do curso reduzem o abandono por desistência voluntária. Os dados desagregados para os cursos de saúde não estavam disponíveis nas fontes públicas consultadas para esta edição.

Perspectiva de longo prazo: a coorte de 2015

Uma das análises mais contundentes do Censo da Educação Superior 2024 acompanhou longitudinalmente os estudantes que ingressaram em 2015 e verificou seu status acadêmico dez anos depois. Os resultados evidenciam um abandono de caráter estrutural:

  • 60% dos ingressantes de 2015 — de todas as modalidades e redes combinadas — não haviam concluído o curso até 2024.
  • No EaD, a taxa de abandono acumulado para essa coorte específica chegou a 65%.
  • No presencial, a evasão acumulada da mesma coorte foi de 47%.
Nota metodológica (INEP): Os dados de coorte incluem tanto alunos que abandonaram definitivamente a graduação quanto aqueles que transferiram a matrícula para outra IES. Em uma parte dos registros, o INEP não distingue entre evasão permanente do sistema e mobilidade interinstitucional. Ao citar esses números, é recomendável explicitar essa limitação metodológica.

Matrículas em contexto: a escala do sistema

Para interpretar as taxas de evasão em termos absolutos, é preciso compreender a dimensão do sistema. Segundo o Censo da Educação Superior 2024 (INEP):

  • 10.227.266 estudantes estavam matriculados em cursos de graduação em 2024 — crescimento de 2,5% em relação a 2023 e de 30,5% na última década.
  • 5.010.433 novos ingressantes foram registrados em 2024.
  • A rede privada ofertou 95,8% das vagas totais e concentrou 79,8% das matrículas.
  • O Brasil conta com 317 instituições públicas e 2.244 instituições privadas de ensino superior.

Qualquer variação de um ponto percentual na taxa anual de evasão representa, em termos absolutos, mais de 100 mil estudantes. Com uma taxa de 17,5% em 2024, o sistema acumulou aproximadamente 1,8 milhão de vínculos acadêmicos encerrados por abandono ao longo do ano.

Outro fenômeno que influencia a dinâmica de permanência e conclusão é o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial entre os estudantes. Para um panorama completo sobre adoção de IA nas universidades brasileiras, consulte o artigo Uso de IA por Estudantes no Brasil: Dados e Estatísticas de 2026.

Fatores associados à evasão no ensino superior

Os números de evasão não existem isolados de causas. A literatura acadêmica brasileira e os relatórios setoriais identificam um conjunto de determinantes que se sobrepõem e se reforçam:

Fatores socioeconômicos

A necessidade de trabalhar durante a graduação é o fator mais frequentemente citado pelos estudantes que abandonam o curso. Na rede privada, onde os programas de permanência são menos robustos do que nas IES públicas, a pressão financeira é amplificada pela inadimplência de mensalidades — que frequentemente precede o cancelamento formal da matrícula. Programas como ProUni e FIES têm papel documentado na retenção de estudantes de menor renda, mas sua cobertura cobre apenas uma parcela do universo total de matriculados.

Desconexão curricular

Currículos que não acompanham as demandas do mercado de trabalho ou que concentram carga teórica pesada nos semestres iniciais — sem entregas práticas que mantenham o engajamento — elevam a probabilidade de abandono precoce. O caso das Engenharias é emblemático: parte significativa das desistências ocorre nos primeiros dois anos do curso, antes que o estudante chegue às disciplinas aplicadas.

Qualidade da experiência educacional no EaD

A expansão acelerada do ensino a distância nas grandes redes privadas nem sempre foi acompanhada de investimento em tutoria qualificada e acompanhamento individualizado. A correlação entre o crescimento das matrículas EaD (+ 286,7% na última década) e o aumento da taxa anual de evasão (de 11% para 17,5% no mesmo período) sugere uma relação que pesquisadores da área têm investigado com crescente rigor.

Acesso às universidades públicas

Para quem está na fase de seleção, a entrada em uma IES pública — onde as taxas de evasão são consideravelmente menores — pode fazer diferença significativa na probabilidade de conclusão. Os dados de nota de corte e as estratégias de acesso via Sisu são detalhados no artigo Nota de Corte do Sisu 2026: Como Consultar e Aumentar Suas Chances.

Perguntas frequentes

Qual é a taxa de evasão no ensino superior do Brasil em 2024?

Segundo o Censo da Educação Superior 2024 do INEP, a taxa anual de desistência foi de 17,5% — o maior valor registrado desde 2010. A taxa acumulada, que acompanha coortes ao longo do ciclo completo do curso, chegou a 57,2% para o conjunto da rede pública e privada, conforme o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025 do Instituto Semesp (dados INEP 2023).

A evasão é maior no EaD ou no presencial?

Significativamente maior no EaD. A taxa anual de evasão no ensino a distância foi de 24,1% em 2024, frente a 9,5% no presencial (INEP, Censo 2024). Na perspectiva acumulada, 64,1% dos alunos do EaD na rede privada abandonam antes de concluir, contra 52,6% no presencial (Semesp, Mapa do Ensino Superior 2025).

Qual rede tem maior evasão: pública ou privada?

A rede privada apresenta taxa de evasão acumulada de 61,3% no ciclo 2019–2023 (Semesp 2025), enquanto a rede pública registra taxa inferior a 40%. Como a rede privada concentra 79,8% das matrículas de graduação no país (INEP 2024), sua taxa de evasão é determinante para a média nacional.

Qual curso tem a maior taxa de evasão no Brasil?

Entre os cursos analisados pelo Instituto Semesp no Mapa do Ensino Superior 2025, Administração na modalidade EaD registrou a maior taxa acumulada na rede privada: 70,7%. Engenharia aparece com 65,2% e Direito com 57,3%, ambos na rede privada, no ciclo 2019–2023.

Quantos estudantes abandonam o ensino superior por ano no Brasil?

Com base em 10,2 milhões de matrículas (INEP 2024) e taxa anual de desistência de 17,5%, estima-se que aproximadamente 1,8 milhão de vínculos acadêmicos foram encerrados por abandono em 2024. É importante notar que parte desses registros pode incluir transferências entre instituições, que o INEP nem sempre consegue distinguir do abandono definitivo.

Onde encontrar os dados oficiais de evasão do INEP?

Os dados estão disponíveis no portal gov.br/inep, na seção do Censo da Educação Superior. Os documentos “Notas Estatísticas — Censo da Educação Superior 2024” e “Apresentação do Censo 2024” contêm os indicadores de fluxo. O Instituto Semesp publica anualmente o “Mapa do Ensino Superior no Brasil” com análises detalhadas por rede, modalidade e área, disponível em semesp.org.br.

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