Revisão Sistemática de Literatura e PRISMA no TCC em 2026: Passo a Passo

Revisão Sistemática de Literatura e PRISMA no TCC em 2026: Passo a Passo

Revisão Sistemática de Literatura e PRISMA no TCC em 2026: Passo a Passo

Resposta rápida: a revisão sistemática de literatura segue um protocolo pré-definido — pergunta estruturada (PICO), bases de dados, string de busca e critérios de inclusão e exclusão — e documenta cada etapa de seleção dos estudos no fluxograma PRISMA 2020, o que a diferencia da revisão narrativa e da integrativa por sua reprodutibilidade e rigor metodológico.

Qual a diferença entre revisão narrativa, integrativa e sistemática?

Nem toda revisão de literatura segue o mesmo rigor metodológico, e confundir os três tipos é um erro comum na hora de justificar a metodologia perante a banca. A diferença está no nível de estruturação do processo de busca e seleção dos estudos.

Revisão narrativa, integrativa e sistemática: comparação
Critério Narrativa Integrativa Sistemática
Protocolo pré-definido Não Parcial Sim, registrado antes da busca
Critérios de inclusão/exclusão explícitos Raramente Geralmente Sempre, definidos a priori
Tipos de estudo incluídos Qualquer, sem restrição Estudos com diferentes desenhos metodológicos Geralmente restrito por desenho (ex.: apenas ensaios clínicos)
Reprodutibilidade Baixa Moderada Alta — outro pesquisador pode repetir a busca
Uso típico Fundamentação teórica geral Síntese de evidências heterogêneas Responder a uma pergunta de pesquisa específica com rigor

Para entender como a revisão sistemática se posiciona dentro do panorama mais amplo do referencial teórico do TCC, vale ler primeiro o que é revisão de literatura antes de decidir por um desenho sistemático — a revisão sistemática é apenas um dos tipos possíveis, e nem todo TCC de graduação precisa (ou consegue, dentro do prazo) atingir esse nível de rigor.

Representação visual do funil de triagem de estudos em um fluxograma de revisão sistemática
O funil de triagem representa a redução progressiva de estudos até chegar aos que serão incluídos na revisão.

O que é o protocolo de uma revisão sistemática?

O protocolo é o documento que registra, antes de iniciar a busca, exatamente como o estudo será conduzido — isso evita que o pesquisador ajuste os critérios depois de ver os resultados, o que comprometeria o rigor da revisão. Um protocolo básico para TCC contém:

  1. Pergunta estruturada no formato PICO (ou variações como PICOS, PECO): População/Problema, Intervenção (ou exposição), Comparação, Outcome (desfecho). Por exemplo: “Em estudantes universitários (P), o uso de aplicativos de meditação (I), comparado à ausência de intervenção (C), reduz os níveis de ansiedade (O)?”.
  2. Bases de dados a serem consultadas, como PubMed, Scopus, Web of Science, SciELO, BVS ou Google Acadêmico, escolhidas conforme a área do trabalho.
  3. String de busca: combinação dos termos da pergunta PICO usando operadores booleanos (AND, OR), incluindo sinônimos e termos em inglês quando a base for internacional. Exemplo simplificado: ("university students" OR "college students") AND ("meditation app" OR "mindfulness app") AND (anxiety).
  4. Critérios de inclusão e exclusão, definidos antes da busca (ver seção específica abaixo).
  5. Período de publicação considerado (por exemplo, últimos dez anos) e idiomas aceitos.

Como funciona o fluxograma PRISMA 2020?

O PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), em sua versão 2020, é o guia mais usado internacionalmente para relatar revisões sistemáticas de forma transparente. O elemento mais visível do PRISMA no TCC é o fluxograma, organizado em quatro fases:

  • Identificação: número total de registros encontrados em todas as bases de dados, antes de remover duplicatas.
  • Triagem (screening): registros restantes após a remoção de duplicatas, avaliados por título e resumo; nessa fase, uma parte é excluída por não atender aos critérios definidos no protocolo.
  • Elegibilidade: os estudos que passaram na triagem têm o texto completo avaliado, e os motivos de exclusão nessa fase devem ser registrados explicitamente (por exemplo, “desenho de estudo inadequado”, “população fora do critério”).
  • Incluídos: número final de estudos que compõem a revisão, os que efetivamente serão analisados e discutidos no capítulo de resultados.

O fluxograma é normalmente inserido como uma figura no capítulo de metodologia ou de resultados, com o número de estudos em cada etapa. O site oficial do PRISMA disponibiliza o modelo do diagrama e a checklist completa de itens que devem ser relatados, ambos gratuitos para uso acadêmico.

Quais critérios de inclusão e exclusão usar?

Os critérios precisam ser objetivos o suficiente para que outra pessoa, aplicando as mesmas regras, chegue ao mesmo conjunto de estudos. Critérios comuns incluem:

  • Inclusão: estudos originais (não revisões), publicados no período definido, que respondam diretamente à pergunta PICO, disponíveis na íntegra (não apenas resumo).
  • Exclusão: estudos duplicados entre bases, artigos de opinião ou editoriais, trabalhos sem revisão por pares, estudos com população fora do critério definido, ou texto completo indisponível mesmo após tentativa de contato com os autores.

Registrar o motivo específico de cada exclusão na fase de elegibilidade (não apenas “excluído”) é o que torna a revisão auditável — e é exatamente essa informação que preenche a fase “Elegibilidade” do fluxograma PRISMA.

Como selecionar e extrair os dados dos estudos?

O ideal metodológico é que dois revisores independentes apliquem os critérios de inclusão e exclusão sem saber a decisão um do outro, resolvendo divergências por consenso ou com um terceiro avaliador. Na prática de um TCC de graduação, isso raramente é possível com apenas um autor — nesse caso, documentar claramente que a seleção foi feita por um único pesquisador é mais honesto do que simular um processo de dupla revisão que não ocorreu.

Depois de selecionados, os estudos incluídos passam por extração de dados em uma tabela padronizada, geralmente contendo: autor e ano, objetivo do estudo, delineamento metodológico, amostra, principais resultados e limitações relatadas pelos próprios autores. Essa tabela de extração costuma virar um apêndice do TCC, complementando a fundamentação teórica com uma síntese visual de todos os estudos analisados.

Quais ferramentas ajudam na revisão sistemática?

Algumas ferramentas gratuitas facilitam a condução de uma revisão sistemática dentro do prazo de um TCC:

  • Rayyan (rayyan.ai): plataforma gratuita para triagem colaborativa de títulos e resumos, com marcação de inclusão/exclusão e detecção automática de duplicatas entre bases.
  • Zotero ou Mendeley: gerenciadores de referência que ajudam a organizar os registros encontrados antes da triagem e a remover duplicatas automaticamente.
  • PRISMA Flow Diagram Generator: ferramenta online oficial do grupo PRISMA para gerar o fluxograma editável a partir dos números de cada fase.
  • Planilha de extração de dados em Excel ou Google Planilhas, estruturada com colunas fixas para manter a consistência entre os estudos analisados.

Revisão sistemática é viável em um TCC de graduação?

Depende do escopo. Uma revisão sistemática completa, com dupla checagem de revisores e meta-análise estatística, é mais comum em mestrado, doutorado ou artigos publicados em periódicos — o volume de trabalho costuma ultrapassar o que um TCC de graduação comporta em um semestre. Ainda assim, é possível adaptar uma versão simplificada, com protocolo bem definido, string de busca documentada e fluxograma PRISMA, sem meta-análise estatística, apenas com síntese qualitativa dos achados.

Antes de assumir esse compromisso, é importante já ter clareza sobre o estado da arte do tema, para evitar redundância com revisões sistemáticas já publicadas sobre a mesma pergunta. Também vale diferenciar essa fonte de evidência da pesquisa documental e bibliográfica, já que a revisão sistemática segue um protocolo próprio, distinto da pesquisa bibliográfica tradicional usada para embasar teoricamente o trabalho. Definida a estratégia de revisão, o próximo passo do capítulo de metodologia costuma ser declarar o horizonte temporal da coleta — veja a diferença entre pesquisa transversal e longitudinal para essa etapa seguinte.

Busca em bases de dados acadêmicas para extração de dados de estudos selecionados
A busca sistemática em bases de dados alimenta a extração e síntese dos estudos incluídos na revisão.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre revisão sistemática e revisão bibliográfica comum?

A revisão bibliográfica comum reúne fontes relevantes sem um protocolo formal de busca e seleção. A revisão sistemática segue um protocolo pré-definido, com pergunta estruturada, string de busca documentada, critérios de inclusão e exclusão explícitos e um fluxograma que registra cada fase da seleção dos estudos.

O que significa PICO na revisão sistemática?

PICO é o acrônimo usado para estruturar a pergunta de pesquisa: População/Problema, Intervenção, Comparação e Outcome (desfecho). Estruturar a pergunta nesse formato facilita a construção da string de busca nas bases de dados.

O fluxograma PRISMA é obrigatório em qualquer revisão sistemática?

Não é uma exigência legal, mas é o padrão internacional mais aceito para relatar revisões sistemáticas de forma transparente, e muitas bancas e periódicos científicos esperam vê-lo, especialmente em trabalhos de saúde e ciências afins.

Preciso de dois revisores para fazer uma revisão sistemática no TCC?

O ideal metodológico é ter dois revisores independentes, mas em TCCs de graduação conduzidos por um único autor isso raramente é viável. Nesse caso, é mais honesto declarar explicitamente que a seleção foi feita por um único pesquisador do que simular um processo de dupla checagem.

O Rayyan é gratuito para estudantes de graduação?

Sim, o plano básico do Rayyan é gratuito e permite triagem de títulos e resumos, marcação de inclusão e exclusão e detecção de duplicatas entre bases de dados, sendo suficiente para a maioria dos TCCs.

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