O pôster científico é o resumo visual de uma pesquisa, exposto em sessão de congresso para ser lido de pé e em poucos minutos. No Brasil, sua apresentação é tratada pela ABNT NBR 15437:2006, que recomenda largura entre 0,60 m e 0,90 m, altura entre 0,90 m e 1,20 m e legibilidade a pelo menos 1 metro de distância.

O que é o pôster científico e quando ele é exigido?
O pôster (também chamado de banner) é uma modalidade de apresentação em eventos científicos. Em vez de expor no palco, você fixa o trabalho em um painel e conversa com quem se aproxima. É a via de entrada mais comum para estudantes de graduação em congressos, semanas acadêmicas, jornadas de iniciação científica e mostras de extensão.
Ele costuma ser exigido em três situações: aprovação de resumo submetido a um evento, apresentação obrigatória de iniciação científica, ou como produto de uma disciplina. Em todos os casos, o pôster não substitui o trabalho completo — ele o anuncia.
Vale separar dois formatos que os estudantes confundem:
| Critério | Pôster científico | Slides de apresentação |
|---|---|---|
| Formato | Peça única, impressa ou em painel digital | Sequência de telas projetadas |
| Ritmo de leitura | Controlado pelo visitante | Controlado por quem apresenta |
| Duração típica | Sessão de 1 a 2 horas, conversas curtas | Bloco fixo de 10 a 20 minutos |
| Densidade de texto | Autoexplicativo: precisa fazer sentido sozinho | Mínima: a fala carrega o conteúdo |
| Norma de referência | NBR 15437:2006 | Sem norma ABNT específica |
Se o seu caso for a defesa e não o congresso, o material muda completamente — veja como fazer slides para a apresentação do TCC, que segue outra lógica de ritmo e densidade.
O que a NBR 15437:2006 determina?
A norma brasileira que trata especificamente do assunto é a ABNT NBR 15437:2006 — Informação e documentação: pôsteres técnicos e científicos — Apresentação. Os pontos que mais afetam a montagem são:
- Dimensões recomendadas: largura de 0,60 m a 0,90 m e altura de 0,90 m a 1,20 m.
- Legibilidade: o conteúdo deve ser legível a pelo menos 1 metro de distância.
- Elementos obrigatórios: título (e subtítulo, se houver), autoria, e o conteúdo do trabalho.
- Identificação institucional: a instituição a que os autores estão vinculados deve aparecer.
- Suporte para fixação: o pôster deve permitir ser afixado no painel do evento.
Uma ressalva prática que evita retrabalho caro: o edital do evento vence a norma. Muitos congressos publicam um template próprio, com dimensões fixas, cores institucionais e até ordem das seções. Quando houver template, siga o template — a norma serve de referência para quando o evento não especifica nada.
Que seções o pôster precisa ter?
A estrutura padrão espelha a de um artigo científico, comprimida ao essencial:
- Título — direto e específico, no topo, em corpo grande. Evite título de efeito sem informação.
- Autores e filiação — nomes e instituição logo abaixo do título.
- Introdução — 3 a 5 linhas: o problema e por que ele importa.
- Objetivo — uma frase. É a seção mais lida do pôster.
- Metodologia — tipo de pesquisa, participantes, instrumento, análise. Em tópicos, não em prosa.
- Resultados — a maior área visual do pôster, com gráfico ou tabela em destaque.
- Conclusão — o que a pesquisa permite afirmar, sem exagerar o alcance.
- Referências — apenas as essenciais, geralmente de 3 a 6.
- Agradecimentos e fomento — obrigatório quando há bolsa (CNPq, CAPES, FAPs).
A proporção que funciona: resultados ocupando cerca de metade da área útil, e introdução mais metodologia somando menos de um terço. O erro mais comum é o inverso — muito contexto, pouco achado.
Passo a passo para montar o pôster
1. Leia o edital antes de abrir qualquer programa
Anote dimensões exigidas, orientação (retrato ou paisagem), se há template obrigatório, formato de arquivo aceito e prazo de envio. Montar primeiro e conferir depois é como se perde a inscrição.
2. Escolha um único achado
Um pôster comunica bem uma coisa só. Selecione o resultado mais forte e construa a peça em torno dele; o resto vira conversa com o visitante.
3. Monte a grade antes do conteúdo
Defina duas ou três colunas e distribua os blocos. A leitura precisa fluir de cima para baixo em cada coluna, e da esquerda para a direita entre colunas, sem setas explicativas.
4. Escreva em tópicos, não em parágrafos
Converta cada seção em frases curtas. Um pôster com blocos de texto corrido não é lido — é fotografado e esquecido.
5. Trate o gráfico como protagonista
Um gráfico limpo e grande vale mais que três pequenos. Toda figura ou tabela precisa de legenda e da linha de fonte, conforme explicado em como indicar a fonte de figuras e tabelas na ABNT.
6. Revise à distância
Exporte em PDF, exiba em tela cheia e afaste-se do monitor. O que não se lê a um passo do computador não se lerá a um metro do painel.

Tamanhos de fonte que funcionam de longe
A norma fixa a exigência de legibilidade a 1 metro, mas não tabela os corpos de fonte. Os valores abaixo são uma referência prática amplamente adotada em guias de eventos para atender a esse critério em um pôster de 0,90 m × 1,20 m — confira sempre contra o template do seu evento.
| Elemento | Corpo aproximado | Observação |
|---|---|---|
| Título | 72 a 100 pt | Legível a vários metros |
| Autores e filiação | 36 a 48 pt | Logo abaixo do título |
| Títulos de seção | 36 a 48 pt | Em negrito, consistentes |
| Texto corrido | 24 a 32 pt | Nunca abaixo de 24 pt |
| Legendas e fontes | 18 a 24 pt | Menor elemento aceitável |
Use no máximo duas famílias tipográficas e mantenha contraste alto entre texto e fundo. Fundo escuro com texto claro funciona em tela, mas encarece a impressão e costuma sair mais sujo no papel.
Impressão: material, arquivo e prazo
- Arquivo: exporte em PDF no tamanho real (1:1), não em escala reduzida.
- Imagens: use figuras em alta resolução; o que parece nítido na tela costuma pixelar em 1 metro de largura.
- Material: lona é mais resistente e dobrável; papel couché tem melhor acabamento e amassa com facilidade.
- Acabamento: confirme se o evento exige ilhós, bastão ou apenas fixação por fita.
- Prazo: gráficas de grande formato costumam pedir mais de um dia útil. Deixe folga para reimpressão.
- Backup: leve o PDF em nuvem e no celular. Pôster extraviado em viagem é ocorrência comum.
Erros que estragam um bom pôster
- Colar o resumo inteiro — o pôster não é o texto submetido em fonte maior.
- Fonte pequena demais — o erro que a NBR 15437 tenta justamente prevenir.
- Gráfico sem legenda ou sem fonte — falha de formatação que a avaliação pontua.
- Conclusão maior que os resultados — sinal de pesquisa fraca ou de alcance exagerado.
- Ignorar o template do evento — motivo frequente de desclassificação na submissão.
- Não ensaiar a fala de 2 minutos — o pôster abre a conversa; quem apresenta é você.
Depois de definir o achado e organizar as seções, o Tesify ajuda a condensar o texto de cada bloco e a formatar as referências no padrão exigido — o conteúdo e os resultados continuam sendo seus, e a conversa no painel também. Para conferir a formatação das referências que vão no rodapé do pôster, consulte como fazer referências ABNT.
Perguntas frequentes
Qual o tamanho de um pôster científico pela ABNT?
A NBR 15437:2006 recomenda largura entre 0,60 m e 0,90 m e altura entre 0,90 m e 1,20 m, com conteúdo legível a pelo menos 1 metro de distância. Se o evento publicar dimensões próprias, elas prevalecem sobre a recomendação da norma.
Existe uma norma ABNT específica para pôster?
Sim. É a ABNT NBR 15437:2006, que trata da apresentação de pôsteres técnicos e científicos, incluindo dimensões, elementos obrigatórios e o critério de legibilidade.
Qual o tamanho de fonte ideal para pôster científico?
A norma não fixa corpos de fonte, apenas a legibilidade a 1 metro. Na prática, títulos entre 72 e 100 pt e texto corrido não inferior a 24 pt costumam atender ao critério em um pôster de 0,90 m × 1,20 m.
O pôster precisa de referências?
Sim, mas apenas as essenciais — normalmente de 3 a 6 —, formatadas conforme a NBR 6023 e em corpo menor, no rodapé da peça.
Qual a diferença entre pôster e banner?
No uso corrente em eventos brasileiros os dois termos são intercambiáveis. “Banner” costuma remeter ao suporte impresso em lona com bastão; “pôster” é o termo empregado pela NBR 15437:2006.
Posso apresentar o pôster em formato digital?
Depende do evento. Sessões com painéis digitais vêm se tornando comuns e costumam exigir arquivo em proporção e resolução específicas. Confirme no edital antes de diagramar, porque a proporção de tela raramente coincide com a do pôster impresso.
